Motivo de preocupação: Arsénio no arroz

Nutrição

O arsénio (As) é um metalóide, um elemento químico considerado não essencial e poluente quando se encontra em quantidades superiores ao normal, podendo trazer consequências negativas aos organismos. Encontra-se distribuído em solos e águas subterrâneas por todo o mundo.

O As é um elemento tóxico, pelo que é necessário regular o valor de contaminação ambiental deste metalóide. A legislação portuguesa prevê limites para o teor de As em águas para consumo próprio e águas de rega. No entanto, ainda não estão definidos limites para os solos e produtos alimentares, como é caso do arroz. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o nível máximo tolerável de arsénio na água para consumo é de 10 mg / L.

A ingestão de As inorgânico pode afectar a saúde a longo prazo, podendo provocar cancro, alterações gastrointestinais, cardiovasculares, hematológicas, pulmonares, neurológicas, imunológicas e no desenvolvimento funcional. Em lactentes e crianças, normalmente mais susceptíveis aos efeitos tóxicos e mais expostas à sua ingestão, foi relatado uma maior predisposição para o desenvolvimento de cancro, doenças pulmonares, problemas ao nível do desenvolvimento e aumento da morbilidade infantil.

Altas concentrações de As são encontradas em determinados alimentos e bebidas à base de arroz, que são muitas vezes utilizados na alimentação de lactentes e crianças. O teor de arsénio inorgânico no arroz cru varia entre 0,1 e 0,4 mg/kg. Este valor é mais elevado quando comparado ao teor de As de outros cereais, como o trigo ou a cevada, cujos valores variam entre 0,03 e 0,08 mg/ kg.

A maior parte do As inorgânico presente no arroz é concentrado nas camadas do farelo, que contêm valores entre 10 e 20 vezes mais elevados do que os grãos inteiros. Assim, o consumo de produtos preparados a partir de farelo de arroz, tais como bebidas de arroz, representa um risco superior do que o consumo de arroz branco cru. Para além disso, o farelo de arroz é muito utilizado como suplemento alimentar ou adicionado, com regularidade, a diversos produtos como bolachas de arroz ou cereais de arroz, para aumentar o teor de fibras.

As crianças com determinadas alergias ou doença celíaca são, normalmente, consumidoras assíduas de produtos à base de arroz. Desta forma, apresentam uma exposição muito superior (0.41mg / kg por dia), em comparação com crianças que consomem produtos com glúten (0.26mg / kg por dia).

De forma a reduzir a exposição ao As, e consequentemente os efeitos nocivos que este pode trazer para a saúde, é recomendável que lactentes e crianças evitem bebidas de arroz. Para além de que todos os produtos à base de arroz deveriam seguir uma regulamentação rigorosa em relação ao conteúdo de As.

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